Alguns plásticos devem ser classificados como perigosos, dizem cientistas

13 de fevereiro de 2013 | por Kenneth R. Weiss
Traduzido por Natalie Andreoli, Global Garbage Brasil

Lixo plástico das ruas de Los Angeles, carreado pela água, acumula-se na foz do Rio Los Angeles. (Rick Loomis / Los Angeles Times)

Menos da metade das 280 milhões de toneladas de plástico produzidas a cada ano acabam no aterro sanitário. Uma parcela da quantidade restante acaba poluindo a paisagem, sendo levada pelo vento ou carreada pelos córregos e rios até chegar no mar.

Até agora, os americanos têm gasto 520 milhões de dólares ao ano para limpar o lixo plástico que é arrastado para as praias e litoral da Costa Oeste. Os esforços para limpar a enorme quantidade de lixo que roda nos giros oceânicos tem um custo incalculável. Assim, boa parte do foco tem sido direcionado para como impedir este rio de lixo de entrar nos oceanos.

Uma equipe de 10 cientistas teve uma ideia de como fazer isso: reclassificar os resíduos plásticos mais prejudiciais como material perigoso. Os cientistas escreveram na revista Nature que este ajuste simples pode provocar mudanças radicais na forma como os órgãos ambientais eliminam os resíduos plásticos, pode estimular a inovação na pesquisa de polímeros e substituir plásticos problemáticos por outros mais seguros.

Os Estados Unidos, Europa, Japão e outras nações classificam o plástico como resíduo sólido, tratando o seu descarte da mesma forma como restos de comida ou restos de vegetação, disse Mark Anthony Browne, um coautor do artigo. É uma visão ultrapassada considerar que os plásticos são inertes, ele disse, ignorando as evidências científicas nos últimos anos, incluindo o trabalho da coautora e aluna de doutorado, Chelsea M. Rochman, de que o lixo plástico está carregado de poluentes altamente tóxicos.

Considerando que o plástico se fragmenta em partículas e fibras microscópicas, ele pode ser inalado ou ingerido por seres humanos e animais selvagens. Um estudo descobriu que as fibras microscópicas estavam presentes em cânceres de pulmão de humanos. As aves marinhas que consumiram resíduos plásticos têm concentrações 300% maiores de bifenilas policloradas (PCBs) em seus tecidos do que outras aves.

Os governos têm se esforçado para reduzir o lixo marinho plástico, sendo que 134 nações proíbem o despejo de plásticos por uma convenção internacional de 1988. No entanto, isto parece ter feito pouca diferença.

Deste modo, os autores modelaram sua proposta conforme o acordo ambiental internacional que tem sido sem dúvida o mais bem sucedido da história: A classificação de refrigeradores chamados clorofluorcarbonos, ou CFCs, como perigosos sob o Protocolo de Montreal, em 1989. A produção de CFCs, que estavam abrindo um buraco na camada de ozônio protetora da atmosfera, parou em sete anos e cerca de 200 países substituíram 30 grupos químicos perigosos por outros mais seguros.

Rochman acredita que a mesma coisa pode acontecer se as principais nações produtoras de plástico derem o primeiro passo e se concentrarem nos quatro tipos de plásticos que são feitos dos materiais mais potencialmente tóxicos e particularmente difíceis de reciclar.

Na pequena lista estão: o policloreto de vinila, ou PVC, utilizado na fabricação de tubos plásticos; o poliestireno, muitas vezes conhecido como isopor e usado em copos e embalagens de alimentos; o poliuretano, utilizado na fabricação de móveis e assentos de carro; e o policarbonato, um plástico rígido utilizado na fabricação de mamadeiras, eletrônicos e eletrodomésticos.

Uma vez que isso seja feito, dizem os autores, os governos podem olhar para outros tipos de plástico que não são feitos de materiais particularmente perigosos, mas agem como esponjas que absorvem poluentes tóxicos, quando são liberados nos oceanos.

“Nós achamos”, escrevem os cientistas, “que os perigos físicos do lixo plástico são muito bem estabelecidos, e as indicações de perigos químicos são suficientemente preocupantes, de forma que os maiores produtores de resíduos plásticos – os Estados Unidos, Europa e China – devem agir imediamente.”

ken.weiss@latimes.com