Encarando o desafio de moda minimalista: usar apenas 33 itens por 3 meses

Você já ouviu falar em armário-cápsula ou capsule wardrobe? Armário-cápsula é uma técnica que consiste em escolher uma quantidade limitada de peças para vestir durante um tempo determinado, sem comprar nada novo, apenas criando combinações com as peças existentes. O termo foi criado pela britânica Susie Faux na dácada de 70 e reintroduzido em 2009.

A primeira vez que ouvi esse termo foi em 2010, por causa do Projeto 333, da americana Courtney Carver, que além de escrever livros e cursos para ajudar as pessoas a serem mais com menos, ainda escreve o blog Be More with Less. Ela acredita que viver com menos cria tempo e espaço para descobrir o que realmente importa, que concentrando-se nas melhores coisas você pode criar uma vida com mais poupança e menos dívidas, mais saúde e menos estresse, mais espaço e menos coisas, mais alegria e menos obrigação. Eu também acredito e vivo isso na prática, desde que decidi mudar de vida e saí de São Paulo para morar em Florianópolis. Mas apesar de ter bastante consciência e meu consumo ser bem minimalista, eu nunca tinha feito um armário cápsula. Como estava indo viajar por três meses resolvi colocar em prática esse desafio. 

O projeto 333 é um desafio de moda minimalista que convida você a se vestir com 33 itens (ou menos) por 3 meses. Os 33 itens são uma combinação de roupas, acessórios, joias e sapatos. Os itens que não entram na lista são: anel de casamento, pijama, roupas íntimas e de ginástica. A ideia é separar esses itens no início das estações do ano, esconder todo o resto por 3 meses e ver o que acontece.

Eu estava indo viajar para o Canadá e Estados Unidos em meio à primavera e início do verão norte americano, então na minha mala tentei levar roupas que se encaixassem à essas duas estações do ano. No post abaixo eu detalhei os itens que levei:

Minha mala ficou assim: 

✅ 4 acessórios: óculos de sol, cachecol, gorro, 1 par de luvas

✅ 3 sapatos: tênis, bota impermeável, bota cano curto

✅ 6 agasalhos/camadas (casaco de chuva, casaco de frio, 2 blusas de gola, 1 blusa fleece, casaquinho)

✅ 5 calças (3 jeans, 1 legging, 1 segunda pele)

✅ 1 saia

✅ 10 blusas (5 manga comprida, 3 manga curta, 2 manga 3/4)

✅ 4 joias (3 pares de brinco + 1 colar aromático)

Armário-cápsula

Depois de um mês de experiência eu compartilhei que já havia usado todos os 33 itens, pois as roupas de verão, como saia e blusas de manga curta, eu tinha usado dentro de casa, e nos dias de muito frio eu usava praticamente os 33 itens juntos. Contei também que perdi um dos meus brincos, então na realidade fiquei com 32,5 itens! Mas isso não foi um problema, pois a Clá Bianchin fará outro brinco igual para mim. Essa é a vantagem de saber quem faz os seus brincos! Nesse primeiro mês a única mudança que eu faria seria trocar o meu casaquinho por uma outra blusa de gola, pois tinha usado bem pouco o casaquinho. Também comentei que:

Estou achando ótima a experiência pois não estou gastando quase nada de tempo pensando em que roupa vestir, estou usando minha criatividade para não ficar sempre com o mesmo visual e estou bem feliz com menos opções, pois estou usando só as roupas com que me sinto bem.

Mala de viagem com 33 itens, para passar 3 meses, incluindo tapetinho de prática de yoga.

Ao final de três meses senti falta de ter levado um boné, pois fiz muitas trilhas e achei que estaria frio na maior parte delas, e usaria o gorro, mas não foi isso que aconteceu. Também senti falta de um pijama de verão, pois no final da viagem estava fazendo bastante calor. Teve dias que a temperatura atingiu 28° C durante o dia e as casas são projetadas para manterem o calor, então dentro de casa ficava bem quentinho. Também senti falta de ter levado um shorts que eu pudesse usar com tênis, pois levei apenas uma saia que só era possível usar com bota. Também senti que tive que lavar muitas vezes as roupas e no final da viagem, que estava quente, acabava lavando roupas sem a máquina estar toda cheia, simplesmente pois não tinha mais roupas limpas para vestir. Isso eu não gostei, pois se tivesse mais roupas poderia acumular mais para lavar. Como no Canadá e Estados Unidos todos os lugares tem máquina de secar, também senti que algumas roupas minhas encolheram e algumas desbotaram/desgastaram de tanto lavar e também por eu não saber usar direito os programas das máquinas de lavar e secar. 

O que eu senti é que o ideal seria fazer esse desafio em apenas uma estação do ano, pois eu acabei pegando duas estações diferentes: primavera norte americana, que na verdade é igual ao nosso inverno no Brasil e o início do verão, que foi muito quente, mais quente do que as médias previstas para esse período. Então acabei passando calor. 

Eu achei ótimo fazer o desafio pois pude perceber que eu posso viver com menos ainda do que eu vivo e não foi algo sofrido, foi divertido. Percebi o quanto eu gosto de brincos e como no Brasil troco eles conforme a roupa que uso. Também gostei pois levei apenas as roupas que eu mais gosto e aquelas que costumo usar com frequência. Além disso, com menos opções você estimula sua criatividade, gasta menos tempo pensando o que vestir.

Algumas pessoas me perguntaram se vou continuar fazendo o desafio no Brasil. E por enquanto não vou fazer, pois não sou consumista e não tenho muitas roupas. Não irei me desfazer do que já tenho, mesmo porque para mim é um desafio comprar novas roupas, então não quero que as roupas que eu tenho estraguem logo de tanto lavar. Eu tenho roupas que uso no dia a dia há mais de 10 anos. Então penso que é preciso usar a consciência na hora de comprar novos itens. Por exemplo, dou preferência a comprar produtos fabricados no Brasil, para evitar os custos externalizados, saber de quem eu estou comprando, saber se a empresa trata bem os seus funcionários, se ela se preocupa com o meio ambiente. Se você nunca parou para pensar nisso, recomendo assistir o vídeo: A história das coisas, de Annie Leonard.

Além disso, em 2014 tomei consciência de que a maioria das roupas que eu usava era feita a partir de tecidos sintéticos, como o poliéster, ou seja, plástico. Esses tecidos sintéticos (que compõem quase 60% de toda a roupa feita na Terra) escondem um grande problema: quando são lavados, liberam minúsculos pedaços de plástico – chamados microfibras – que fluem ao bilhões pelos nossos ralos, através das estações de tratamento de água e vão poluir nossos rios, lagos e oceanos. Por exemplo, aquela camiseta de malha PET, que parece ser super ecológica, na verdade está gerando um problema muito maior no meio ambiente. Neste outro vídeo: A história das microfibras, é possível visualizar esse problema.

Por essas razões, eu dou preferência a comprar roupas feitas de algodão orgânico, produzidas no Brasil, como por exemplo a Lingerie Pink Romã e Camisetas Orgânicas. Meus acessórios são produzidos pela minha amiga Clá Bianchin. Também dou preferência a comprar itens de brechós, fazendo assim com que a roupa tenha um ciclo de vida estendido.

Se você gostou da ideia, nesse post em português tem algumas dicas de como começar a fazer o desafio. Se você achou muito radical separar apenas 33 itens, que tal escolher só as roupas que você gosta mais e esconder as outras dentro de uma mala, por exemplo? E na hora de comprar uma nova roupa, que tal começar a pensar: Eu realmente preciso desta nova roupa? Que tal olhar a etiqueta e ver do que ela é feita e onde foi fabricada? Não foi de uma hora pra outra que eu mudei os meus hábitos, eu comecei em 2010 e quanto mais eu aprendo, mais consciente vou ficando e minhas ações vão ficando cada vez mais alinhadas com os meus conhecimentos. Não quero te desesperar, só quero compartilhar a minha experiência e dizer que hoje em dia eu  me sinto muito mais com menos.

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