Eu não quero nenhum esfoliante

Microesferas de plástico provenientes de produtos cosméticos estão se acumulando em nossos lagos e rios. O estado de Nova Iorque é o primeiro que visa proibi-las, e outros não estão muito atrás. Foto: Amaya/Flickr.

por Susan Cosier @susancosier • 13 de fevereiro de 2014
Traduzido por Natalie Andreoli, Global Garbage Brasil

Legisladores de Nova Iorque querem ser os primeiros no país a resolver um problema extremamente minúsculo: as microesferas de plástico encontradas em produtos cosméticos. Esta semana, o procurador-geral do estado e um deputado estadual apresentaram um projeto de lei que proibiria a venda e a fabricação de qualquer produto de limpeza facial, creme dental, sabonete ou esfoliante que contenha essas esferas microscópicas, que escapam nos processos de filtração de água e entram nos cursos d’água.

No ano passado, cientistas relataram a descoberta de dezenas de milhões de microesferas boiando na superfície do lago Erie (veja o artigo “Don’t Lather, Don’t Rinse, Don’t Repeat” – "Não ensaboe, não enxague, não faça isso de novo”). As esferas de plástico poluem a água e podem, potencialmente, envenenar peixes e outros animais selvagens que confundem essas microesferas coloridas com alimentos.

“Desde os Grandes Lagos até o rio Hudson e o rio Long Island Sound, nosso compromisso de proteger e recuperar as águas de Nova Iorque está entre as nossas responsabilidades mais importantes”, disse o procurador-geral Eric T. Schneiderman.

Diversas empresas que fabricam os mais de 200 produtos que contêm esses microesferas – incluindo a Colgate-Palmolive e a Johnson & Johnson – já se propuseram a removê-las de seus produtos. Mas isso não é o suficiente, argumenta o 5 Gyres Institute (“Instituto 5 Giros”), uma organização que combate a poluição por plástico nos cursos d’água. O grupo trabalhou com os legisladores no projeto de lei e está pensando em implantar esse modelo legislativo em outros lugares. Um deputado da Califórnia, que colaborou com a organização, planeja apresentar um projeto de lei que proíbe a venda de microesferas hoje.

“Não estamos considerando uma estratégia para um único Estado”, disse ao New York Times, Stiv J. Wilson, diretor de políticas do 5 Gyres,. “Isto é alpha, e não ômega. ” Para aqueles que não falam grego, ele quis dizer que as proibições de microesferas estão apenas começando.

Em novembro passado, uma organização, que representa 100 cidades dos Estados Unidos e do Canadá ao redor dos Grandes Lagos, pediu para as organizações federais fazerem algo a respeito das microesferas, que têm apenas uma fração de milímetro de diâmetro. Mas esse é o primeiro passo que qualquer nível de governo tomou para resolver a questão.

Esses minúsculos fragmentos de plástico não são a maior ameaça às nossas águas, mas eles realmente acarretam problemas. Toxinas, como bifenilas policloradas (PCBs), podem se agarrar às microesferas. Quando os peixes as ingerem, as esferas de plástico ficam presas em seus sistemas digestórios e os peixes absorvem as PCBs em seus tecidos (então imagine o que acontece quando nos alimentamos de peixes?). Além disso, existem algumas evidências de que, quando os organismos aquáticos ingerem plástico, isso faz com que se sintam saciados, dessa forma, se alimentam menos de “comida de verdade” e não crescem tanto, como indicou um estudo realizado em mexilhões.

Então … como saber se a sua rotina de beleza está adicionando microesferas aos zilhões que estão sendo introduzidos em nossos cursos d’água? Fique longe de produtos que tenham as palavras “polyethylene” (“polietileno”) e “polypropylene” (“polipropileno”) em seus rótulos, e faça o download do aplicativo “Beat the Microbead” para se certificar de que o que você está comprando é seguro – para você e para os peixes que vivem próximo à você.

Susan Cosier é editora-chefe da OnEarth.org. Ela trabalhou anteriormente na Audubon magazine, e tem escrito para diversas revistas de ciência e meio ambiente. Ela tem graduação em ciência ambiental pela Wesleyan University (Universidade de Wesleyan).