Ilha havaiana coberta de plástico se direciona a uma possível designação ao fundo fiducidário como área contaminada

Em um passo histórico, a EPA irá avaliar perigos da poluição por plástico em Ilha de Tern
Traduzido por Natalie Andreoli, Global Garbage Brasil

Foto cedida por Horia Andrei Varlan/Flickr.

SÃO FRANCISCO – Em resposta a uma petição apresentada pelo Center for Biological Diversity (“Centro para a Diversidade Biológica”), a Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA – Environmental Protection Agency) se comprometeu a dar um primeiro passo histórico em direção à classificação de uma minúscula ilha de corais do Havaí, a Ilha de Tern, como uma área contaminada para o Superfund* devido aos  perigos causados pela poluição por plástico. A petição do Centro solicitou que a agência conduzisse uma avaliação preliminar das ilhas havaianas do noroeste e de uma parte da enorme mancha de lixo do Pacífico (Pacific Garbage Patch) em águas norte-americanas.

O Programa Superfund da EPA se destina a identificar e limpar as áreas mais poluídas do país. Esta é a primeira vez que a agência considerou usar o Superfund para tratar de uma área contaminada por plástico; serão realizados estudos na Ilha de Tern, uma pista de decolagem remota e com uma das maiores colônias de aves marinhas tropicais do mundo. Em especial, a agência vai focar nas ameaças de toxicidade do lixo plástico aos animais selvagens que habitam a área.

“É ótimo que a EPA irá investigar os perigos para a vida selvagem causados pela poluição por plástico”, disse Emily Jeffers, uma advogada do Centro. “As focas-monge, tartarugas verdes e aves marinhas do Havaí são feridas e mortas em grande número pelos milhares de quilos de lixo que sujam esta bela ilha. Temos que agir agora.”

As ilhas havaianas do noroeste, cujos recifes e costas são inundadas por lixo plástico, há muito tempo vêm sendo utilizadas como um refúgio para a fauna marinha. Designada como Monumento Nacional Papahanaumokuakea em 2006, esta cadeia de aproximadamente 1.900 quilômetros de ilhas e atóis espalhados é o lar de mais de 7.000 espécies marinhas, um quarto das quais não são encontradas em nenhum outro lugar na Terra. A Pacific Garbage Patch é uma massa de lixo que roda no Oceano Pacífico, maior do que o estado do Texas.

O lixo plástico mata ou fere milhares de aves marinhas, mamíferos marinhos e tartarugas todos os anos. Alguns animais selvagens são aprisionados e se afogam; outros são estrangulados ou sofrem lacerações e infecções. Outros ainda morrem de fome após consumirem plástico, porque ele cria falsas sensações de saciedade. O plástico também é uma fonte de produtos químicos tóxicos que, depois de ser consumido por peixes e aves, é transferido na cadeia alimentar para peixes e mamíferos marinhos maiores. Estas toxinas podem ser transmitidas aos seres humanos que comem peixes, como o peixe-espada e o atum.

“A EPA está dando um primeiro passo muito importante para avaliar a natureza e a extensão da poluição por plástico na Ilha de Tern”, disse Jeffers. “Esperamos que o que for aprendido com esta investigação leve à  limpeza das ilhas – e, fundamentalmente à políticas que reduzam o fluxo de lixo para dentro dos nossos oceanos." 

O Center for Biological Diversity ("Centro para a Diversidade Biológica”) é uma organização de conservação nacional, sem fins lucrativos, com mais de 625.000 membros e ativistas on-line dedicados à proteção de lugares selvagens e espécies ameaçadas de extinção.

*N.T. Superfund – fundo fiducidário estabelecido em 1980 para financiar a despoluição de áreas altamente poluídas (E.U.A.).