Fazendo conexões e aprendendo sobre Lixo Zero em Vancouver

Esta semana tive oportunidade de participar de um evento chamado The Food Connection, que ocorre mensalmente em Vancouver. Esse evento acontece há mais de 5 anos e surgiu da ideia de três amigas em compartilharem conhecimentos. No princípio falavam apenas sobre comidas, e trocas de receita. Hoje em dia os temas envolvem toda a cadeia produtiva e são abertos a toda a população. O tema desse mês foi: Zero Waste – Lixo Zero e ocorreu em meio ao clima descontraído de um pic-nic. Cada participante levou um prato de comida. Tinham pessoas de diversos países: Canadá, Japão, Noruega, Israel, Índia, Coreia, França, então deu para experimentar diversos sabores novos. Cada pessoa também tinha que levar o seu próprio prato, talher e copo e se quisesse poderia coletar as plantas disponíveis no local.

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Desafio de privação total de mídias por uma semana

Recentemente participei de uma jornada, O Ser Criativo, que tem como objetivo explorar a expressão criativa, a autenticidade e a plenitude através de técnicas e ferramentas com o propósito de transformar a vida através de atos criativos. Um dos desafios propostos foi o de privação total de mídias por uma semana.

A definição de mídia no dicionário é: “Toda estrutura de difusão de informações, notícias, mensagens e entretenimento que estabelece um canal intermediário de comunicação não pessoal, de comunicação de massa, utilizando-se de vários meios, entre eles jornais, revistas, rádio, televisão, cinema, mala direta, outdoors, informativos, telefone, internet etc.”

Então isso significa ficar uma semana sem redes sociais, sem ouvir música, sem ler livros, sem ir à museus, ou seja, sem qualquer tipo de entretenimento.

A primeira vez que fiz o desafio consegui ficar distante apenas da música e dos livros, falhei em me distanciar das redes sociais. Graças à esse desafio percebi que toda vez que tentava me distanciar do celular eu recorria aos livros. Consegui diminuir o uso do celular, mas não completamente. Não fiquei satisfeita com meu desempenho e essa dependência do celular é assunto recorrente na minha vida. Já havia escrito algumas dicas de como diminuir a dependência pelo uso de celular, mas ainda assim não eram suficientes.

Como estava saindo de férias e indo acampar decidi fazer o desafio novamente, pois sabia que onde eu iria não tinha Wi-Fi, então pensei que seria mais fácil. No primeiro dia do desafio senti uma sensação tão ruim, de querer acessar e não poder. Decidi baixar um aplicativo para contar quantas vezes eu sentia vontade de acessar. Toda vez que eu sentia vontade, ao invés de abrir meu Instagram ou Facebook eu abria esse aplicativo e clicava no símbolo de +. Fiquei assustada com a quantidade de vezes que eu tive vontade de acessar. A sensação foi a mesma que senti uma vez que fiz uma dieta restritiva em que cortei o chocolate. Parece que quanto maior a privação, maior é a vontade.

Por sorte lembrei de um TED Talks que assisti recentemente em que o Judson Brewer, médico, PhD, diretor de pesquisa do Center for Mindfulness da Universidade de Massachusetts mostrava um jeito simples de quebrar um mau hábito. De forma resumida, ele mostra como o nosso cérebro funciona: Gatilho – Comportamento – Recompensa. Então ele sugere que ao invés de brigarmos com o nosso cérebro, que fiquemos curiosos sobre o que está acontecendo na nossa cabeça e no nosso corpo quando sentimos vontade de cometer esse mau hábito. Ele cita o exemplo de quando recebemos uma mensagem no Whatsapp e logo queremos responder de forma compulsiva. Para modificar esse hábito ele recomenda que você perceba o desejo, tenha curiosidade, sinta a alegria de deixar essa compulsão ir embora… e repita.

Recomendo que depois você assista a palestra toda, são apenas 10 minutos, mas pode te ajudar a mudar qualquer hábito ruim que você possua. Para assistir com legendas em português, clique no símbolo da engrenagem / legendas / selecione “Português (Brasil).

Essa técnica, chamada de controle cognitivo, pode ser usada para mudança de qualquer hábito. E foi ela que eu usei para mudar esse meu mau hábito de querer acessar a toda hora as redes sociais. Então toda vez que eu sentia vontade, eu me observava e tentava entender o porquê de eu querer acessar: para checar se alguém curtiu minha postagem, para checar se alguém comentou algo, e depois de observar o que eu estava sentindo, a vontade de acessar passava. Você pode perceber o meu resultado da aplicação da técnica nesse gráfico que mostra como a minha vontade de acessar as mídias foi diminuindo ao longo dos dias. Tanto foi assim que decidi ficar mais de uma semana e acabei ficando 10 dias… e poderia ter ficado até mais se quisesse.

Gráfico com resultados do meu desafio de privação de mídias

Mas não foi só isso que eu fiz. Usei outras estratégias, como por exemplo, retirei da primeira tela do meu celular os aplicativos: Instagram, Facebook e Whatsapp. Eu já não possuo notificação de som em nenhum deles, como já escrevi nesse post. Então, como eles não estão mais na primeira tela, não vejo quando alguém me enviou uma mensagem e só vou acessar quando eu puder, e não logo que eu recebo a mensagem.

Outra estratégia foi planejar o meu dia para que eu pudesse fazer muitas atividades em contato com a natureza e dessa forma ficasse longe do celular ou em lugares que não houvesse Wi-Fi ou sinal de celular. Fiz trilhas, pedalei, remei, vi paisagens incríveis, tive contato com animais selvagens e nessas horas eu nem lembrava que existia redes sociais, estava completamente entregue ao momento presente.

Aqui alguns registros desses momentos off-line.

Trilha Valley of the Five Lakes no Parque Nacional de Jasper, Canadá

 

Trilha Sulpher Skyline no Parque Nacional de Jasper, Canadá

 

Remando na canoa no Vermilion Lake no Parque Nacional de Banff, Canadá

 

Pedalando e encontrando com um grizzly bear no Parque Nacional de Banff, Canadá

Nos momentos em que eu não estava em contato com a natureza, por exemplo, quando ia cozinhar, senti muita falta da música, pois é um hábito que tenho de cozinhar ouvindo música. Então ao invés de ouvir música, eu resolvi cantar! Sim, e é incrível pois para cantar você precisa se lembrar da melodia, da letra e também criar a sua própria playlist! É muito fácil e cômodo só clicar no aplicativo e escolher uma playlist ou ligar o rádio e ouvir o que está tocando. Quando você tem que criar a sua própria playlist não é tão rápido assim, mas eu consegui e fiquei bem feliz.

O dia mais difícil foi quando nevou e choveu e não tinha como fazer trilha e fiquei “presa” no camping. Minha vontade era ler, ouvir música, mas decidi meditar, escrever e fiz uma limpeza nos arquivos do meu computador.

A meditação eu usei também durante as trilhas, nos trechos mais difíceis em que tive que passar por áreas com neve, bastante inclinação e foi a meditação que me ajudou a manter minha cabeça no momento presente e não desistir diante das dificuldades. Se você nunca meditou, pode começar praticando por apenas um minuto.

Então, de forma resumida, as estratégias que usei para mudar esse meu mau hábito de checar toda hora as redes sociais foram:

  1. Apliquei a técnica controle cognitivo ensinada pelo médico PhD Judson Brewer, para mudar um mau hábito
  2. Retirei da primeira tela do celular os aplicativos: Instagram, Facebook e Whatsapp. (Notificações de som desabilitadas)
  3. Pratiquei atividades em contato com a natureza
  4. Meditei
  5. Cantei
  6. Escrevi

Como resultado prático na minha vida pude perceber que quando você não tem acesso às mídias você precisa usar a criatividade para passar o seu tempo e acaba focando muito mais no momento presente. Também percebi que os primeiros dias são os mais difíceis, mas como qualquer hábito, isso pode ser mudado. Também percebi que o mundo não vai acabar se eu não responder imediatamente a algum comentário ou mensagem e isso para mim foi bem libertador. Minha ansiedade também diminuiu e me sinto com muito mais controle e consciência dos meus atos. A técnica de controle cognitivo é realmente muito simples de ser aplicada.

Agora quero lançar um desafio à você! Semana que vem é a semana mundial do meio ambiente e o tema desse ano é Connecting People to Nature – “Conectando Pessoas à Natureza”. Que tal aproveitar essa semana para se distanciar das mídias e aumentar seu contato com a natureza?

Você acha que uma semana é muito tempo? Ok… Então que tal tentar ficar pelo menos 24 horas sem nenhuma mídia e observar o que sente? Se você aceitar o desafio, depois me conte o que sentiu, como foi a sua experiência.

Ah, e se achar que esse texto pode ajudar alguém que você conheça, compartilhe 🙂  Ajude você também a criar um mundo melhor ao seu redor, com mais harmonia e mais foco no momento presente.

Como medir o impacto socioambiental da sua empresa

Ontem tive oportunidade de participar do workshop: Measure what matters 101 (Medindo o que Importa), em Vancouver, no Canadá. O evento é oferecido mensalmente pelo Banco de Desenvolvimento de Negócios do Canadá (BDC – Business Development Bank of Canada), única instituição financeira dedicada exclusivamente a empreendedores, e pela Comissão Econômica de Vancouver (VEC – Vancouver Economic Comission), que trabalha para posicionar Vancouver como uma cidade globalmente reconhecida por negócios inovadores, criativos e sustentáveis.

Natalie Andreoli, Kristy O’Leary (Imagine Better) e Carla Heim (BDC) no Workshop Measure what matters 101

O objetivo do workshop foi mostrar em detalhes como funciona a ferramenta gratuita “Avaliação de Impacto B“, que por meio de uma análise objetiva e abrangente mede o quão significativo é o impacto socioambiental de qualquer empresa. A ferramenta foi criada para auxiliar empresas B a obter a certificação B. Empresas B (B corps) são empresas com fins lucrativos que precisam atender rigorosos padrões de desempenho social e ambiental, prestação de contas e transparência para conseguirem a certificação do Sistema B.

O sistema B é um movimento global de líderes empresariais que procuram redefinir o sucesso nos negócios, para que um dia todas as empresas possam competir não apenas para ser as melhores do mundo, mas para serem melhores para o mundo. A certificação é feita pelo Laboratório B (B lab), uma organização norte-americana sem fins lucrativos, que avalia não só a capacidade da empresa em gerar retornos, mas também a capacidade de criar valor para seus clientes, funcionários, comunidade e meio ambiente.

Atualmente já existem 2.140 Empresas B, em 50 Países de 130 diferentes tipo de indústrias, com um único objetivo: redefinir o sucesso nos negócios. Na América Latina existem empresas B certificadas na Argentina, Brasil, Colômbia, Chile, Uruguai, Paraguai, Peru, México. No Brasil já existem quase 50 empresas certificadas. Uma delas, por exemplo, é a Mãe Terra, empresa fundada em 1979 que comercializa alimentos naturais e orgânicos, que se preocupa em crescer, mas sempre respeitando os limites da natureza, valorizando a preservação ambiental e com cuidado social. Para encontrar quais são as empresas certificadas no seu país, basta fazer uma busca no site.

Os conceitos do sistema B são conceitos similares ao do capitalismo consciente, com a diferença que no sistema B é possível receber uma certificação, caso a empresa alcance a pontuação mínima.

A Avaliação de Impacto B é uma ferramenta gratuita e confidencial do B Lab e da Comunidade de Empresas B Certificadas. O mais interessante dessa ferramenta é que ela se aplica não só para quem quer obter a certificação, mas para qualquer empresa. Ou seja, independente se você é a única pessoa que trabalha na empresa ou se existem centenas de funcionários, você pode usar a ferramenta. A Avaliação de Impacto B te orienta, por meio de uma série de perguntas sobre governança, trabalhadores, comunidade, meio ambiente e clientes, a aprender o que é preciso para construir um negócio melhor para os seus trabalhadores, comunidade e meio ambiente. Respondendo as perguntas é possível ter uma visão bem ampla do seu negócio. Para fazer a avaliação rápida e resumida de seu impacto leva aproximadamente 30 minutos.

Para fazer a avaliação é necessário acessar o site da Avaliação de Impacto B.

Avaliação de Impacto B

Clicar em Iniciar, selecionar o idioma para Português, preencher os seus dados e clicar em “Crie a sua conta”.

Criando a sua conta, em português

Depois será necessário preencher todas as perguntas dos 5 critérios: governança, trabalhadores, comunidade, meio ambiente e clientes.

Critérios de avaliação

As dicas interessantes que eles deram durante o workshop foi para antes de responder as perguntas, clicar em “Saiba mais” e “Na prática”, no parte superior, para explicar mais sobre aquela pergunta e mostrando na prática o que acontece se você seguir aquela recomendação.

Clicando em “Saiba mais”

 

Analisando “Na prática” o que acontece se você colocar esse critérios em prática

Após realizar a análise, é possível identificar quais os critérios que sua empresa está acima da média e quais podem ser melhorados, comparado com todas as empresas cadastradas na plataforma. Foi bem enfatizado durante o workshop que os dados que você preenche são confidenciais e que não é necessário que você solicite a certificação para poder preencher essa avaliação.

Para quem tiver interesse em fazer a certificação de sua empresa, encontrei esse post escrito em português que explica quais são os critérios e os passos para a certificação. Após obter a certificação, a cada dois anos a avaliação é feita novamente para acomodar práticas novas e inovadoras e avaliar com mais precisão o impacto de todos os tipos de negócios.

Eu gostei bastante de preencher essa avaliação pois ela te mostra parâmetros que talvez você nunca tenha pensado, mas que podem estar afetando o seu negócio, independente do seu negócio ser só você ou se você tiver vários funcionários. Se você tem uma empresa e você quer criar valor para seus clientes, funcionários, comunidade e meio ambiente, eu recomendo fazer essa avaliação gratuita. E mesmo que você não tenha uma empresa, mas trabalhe em uma empresa e não sabe como sua empresa poderia ser melhor, vale a pena preencher o questionário. Tenho certeza que você encontrará itens para melhoria e tornará a sua empresa melhor para para você e para o mundo.

Em Defesa da Aromaterapia Brasileira

Semana passada diversos profissionais do mercado brasileiro de aromaterapia se uniram para publicar uma “Carta Aberta em Defesa da Qualidade do Mercado Brasileiro de Aromaterapia”. A razão de tal carta foi motivada por algumas alegações de equipes autônomas de venda de uma empresa norte-americana (nome não citado na carta). Uma alegação dizia que a ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária, órgão regulamentador de óleos essenciais no Brasil, não adota critérios rígidos de fiscalização no mercado de óleos essenciais. Também alegaram terem conduzidos experimentos próprios que mostraram que marcas de óleos essenciais brasileiros continham apenas 18% de pureza, porém não tornaram públicos os resultados desses testes.

Dentre os signatários da carta aberta estão professores de aromaterapia, proprietários de escolas, de empresas produtoras, importadoras e distribuidoras de óleos essenciais, o fundador do Instituto Brasileiro de Aromatologia e as associações nacionais Abraroma e Aromaflora.

Os signatários afirmaram seu compromisso e respeito com o consumidor de aromaterapia no Brasil, o compromisso de disponibilizar os laudos cromatográficos dos óleos essenciais comercializados, que são o resultado do perfil cromatográfico (GC/MS, sigla em inglês para cromatografia gasosa e espectrometria de massa) que mostram a composição química dos óleos essenciais e assim atestam a pureza dos mesmos. Na carta também afirmam que atendem a legislação em vigor e ainda informam que o Brasil está adiantado na área educacional de aromaterapia, possuindo escolas e centros de formação com profissionais comprometidos a formar aromaterapeutas dentro de critérios que enfatizam o uso seguro e eficaz dos óleos essenciais e reforçam que não apoiam o uso indiscriminado de óleos essenciais apenas com base em informações na internet ou em material publicitário.

Esse assunto não é uma preocupação só no Brasil. No curso que estou fazendo “Aromatherapy Teacher Training Program”, um programa de treinamento para formar professores certificados em Aromaterapia, oferecido pela “The School for Aromatic Studies (SAS)” e o “New York Institute of Aromatherapy (NYIOA)”, também foi levantada essa questão de empresas americanas de marketing multi nível (MLM – multi level marketing) que estão vendendo óleos essenciais de forma indiscriminada no mercado americano e como isso tem afetado o trabalho de profissionais de aromaterapia lá.

Iniciativas como esta carta reforçam a seriedade com que a Aromaterapia deve ser tratada. Para ter acesso ao conteúdo completo da carta e assiná-la, clique aqui.

A imagem da carta também pode ser vista abaixo:

Carta aberta em defesa da qualidade do mercado brasileiro de Aromaterapia

Dicas de como diminuir a dependência pelo uso de celular

Vi esse graffitti em Curitiba e sempre lembro dele quando vejo as pessoas vidradas em seus celulares… Meu tio italiano diz que os celulares são “la rovina della famiglia” – a ruína da família, pois as pessoas não conversam mais, não interagem mais. Eu acredito que como tudo na vida, a gente tem que usar com moderação.

Graffiti em uma das ruas no centro de Curitiba.

Vejo que os celulares nos permitem estar em contato com o mundo todo, a todo momento, e isso é maravilhoso, pois você consegue trocar e aprender o que quiser, a hora que quiser. Mas na minha visão não podemos deixar de viver o momento presente e aproveitar as pessoas e situações que estão fora do celular.

Deixo aqui algumas dicas do que eu faço para não ficar tão viciada:

1. Desabilitei todas as notificações de som do Whatsapp, Facebook, e-mail… Dessa forma eu só acesso esses aplicativos na hora que eu posso e penso que se for algo urgente a pessoa irá me ligar.

2. Não durmo com o celular ao meu lado na cama. Uma razão é por causa das radiações, que alguns estudos dizem que podem ser prejudiciais e a outra é para não cair em tentação de olhar o celular antes mesmo de levantar.

3. Só vejo o celular depois de ter feito o meu ritual diurno, que inclui alguns exercícios de respiração, meditação e posturas de yoga. Dessa forma eu primeiro me conecto comigo mesma, antes de deixar ser influenciada por estímulos que não estão sob o meu controle.

Desde que adotei esses hábitos tenho me sentido menos ansiosa em querer acompanhar a todo momento tudo o que acontece no mundo e tenho aproveitado mais a vida fora da telinha.