Os plásticos e os químicos que eles absorvem são uma ameaça dupla à vida marinha

A nota de imprensa a seguir foi distribuída em 15 de janeiro de 2013, pela UC Davis News Service.

A aluna de doutorado da Universidade da Califórnia, Chelsea Rockman (direita) e as colegas Stephanie Celustka (esquerda) e Meggie Moore (centro) amarram sacos de pellets plásticos em estruturas feitas com canos para serem penduradas em um trapiche na Baía de San Diego, para quantificar contaminantes. Crédito: Chelsea Rochman/UC Davis

Traduzido por Mariana Coutinho Hennemann, revisado por Natalie Andreoli, Global Garbage Brasil

Animais marinhos que ingerem plásticos no oceano podem sofrer com um duplo problema: o próprio plástico e os poluentes que esses plásticos absorveram enquanto flutuavam no mar aberto, de acordo com a pesquisa liderada pela estudante de doutorado Chelsea Rochman, da Escola de Medicina Veterinária da Universidade da Califórnia, em Davis (UC Davis).

O estudo descobriu que os plásticos mais comumente produzidos também absorvem mais químicos e por períodos mais longos de tempo do que se pensava anteriormente. Os produtos feitos do tipo de plástico utilizado para fazer garrafas de água – tereftalato de polietileno, ou PET – podem ter impactos químicos negativos menores do que produtos feitos de outros tipos de plásticos, de acordo com o estudo, publicado on-line este mês no jornal Environmental Science & Technology.

Rochman, que trabalha no Aquatic Health Program (Programa de Saúde Aquática) da Escola de Medicina Veterinária da UC Davis, é aluna de doutorado em Ecologia, e busca um diploma conjunto da UC Davis e da Universidade Estadual de San Diego.

A pesquisa de Rochman, conduzida por 12 meses em cinco localidades na Baía de San Diego, foi o primeiro experimento controlado, de longo prazo, a medir a absorção de contaminantes pelos cinco tipos de plásticos mais comuns:

  • Tereftalato de polietileno (PET). Símbolo de reciclagem nº 1. Ex: Garrafas d’água.
  • Polietileno de alta densidade (HDPE). Símbolo de reciclagem  nº 2. Ex: Garrafas de detergente.
  • Cloreto de polivinila (PVC). Símbolo de reciclagem  nº 3. Ex: Embalagens de alimentos transparentes.
  • Polietileno de baixa densidade (LDPE). Símbolo de reciclagem  nº 4. Ex: Sacolas plásticas de compras.
  • Polipropileno (PP). Símbolo de reciclagem nº 5. Ex: Embalagens de iogurte, tampas de garrafas.

Rochman e seus colegas colocaram pellets de cada tipo de plástico em sacos de malha amarrados a um trapiche em cada local de estudo. Eles os retiravam periodicamente para medir a absorção de poluentes orgânicos persistentes pelos plásticos.

“Nós observamos de forma consistente em nosso estudo que o polietileno (HDPE e LDPE) e o polipropileno (PP) absorveram uma concentração muito maior de contaminantes do que o PET ou o PVC, sendo que os primeiros são os tipos de plásticos mais comumente produzidos e consumidos”, disse Rochman. “Eles também são os mais comumente recuperados como lixo marinho.”

Em 2007, o HDPE, o LDPE e o PP representavam 62% de todos os plásticos produzidos globalmente, enquanto o PVC e o PET representavam apenas 19% e 7%, afirmou o estudo.

Os dados sugerem que produtos feitos de HDPE, LDPE e PP podem representar um risco químico maior aos animais marinhos que ingerem plásticos do que os produtos feitos de PET e PVC. O estudo destaca que, embora o PVC não tenha absorvido tantos contaminantes quanto os outros plásticos, o cloreto de vinila é classificado como carcinogênico e tóxico.

Rochman esperava que os pellets absorvessem uma quantidade crescente de poluentes nos primeiros meses de estudo, antes de atingirem um equilíbrio – até o ponto em que eles não pudessem absorver mais substâncias tóxicas. Entretanto, Rochman observou que o HDPE e o LDPE continuaram a absorver contaminantes ao longo dos 12 meses. O estudo estimou que, no local de estudo na Shelter Island, levaria 44 meses para o HDPE e 19 meses para o LDPE pararem de absorver substâncias tóxicas.

“Surpreendeu-nos que mesmo após um ano, alguns plásticos continuariam a absorver contaminantes”, disse Rochman. “À medida que o plástico continua a se degradar, ele se torna potencialmente cada vez mais perigoso para os organismos, pois absorve cada vez mais contaminantes”.

O estudo foi financiado pelo “National Science Foundation’s Graduate Research Fellowship Program”, com financiamento adicional da “Society of Environmental Toxicology and Chemistry”, da “San Diego State University Research Foundation” e da “Padi Foundation”.

Leia o estudo

Sobre o Aquatic Health Program

No Aquatic Health Program (inicialmente “Aquatic Toxicology Laboratory”), os pesquisadores investigam os componentes comportamentais, anatômicos e fisiológicos de organismos individuais e os aplicam em escala de ecossistemas. O pessoal de laboratório mede e analisa impactos adversos de estressores químicos e físicos sobre organismos aquáticos utilizando uma variedade de processos de testes sofisticados. Membros do laboratório colaboram com setores privados, programas interagências, interessados regionais, estaduais e federais, bem como outras instituições de pesquisa e educacionais para melhorar a saúde de espécies aquáticas e de seus ambientes. O programa fica localizado no Departamento de Anatomia, Fisiologia e Biologia Celular da Escola de Medicina Veterinária e é dirigido por Swee Teh.

Sobre a UC Davis

Por mais de 100 anos, a UC Davis (Universidade da Califórnia, em Davis) tem se envolvido no ensino, pesquisa e serviços públicos de importância para a Califórnia e que transformam o mundo. Localizada perto da capital do estado, a UC Davis tem mais de 33.000 estudantes, mais de 2.500 cursos e mais de 21.000 empregados, um orçamento anual para pesquisa de quase $750 milhões de dólares americanos, um sistema de saúde abrangente e 13 centros de pesquisa especializados. A universidade oferece pós-graduação interdisciplinar e mais de 100 cursos de graduação em quatros grandes área – Agricultura e Ciências Ambientais, Ciências Biológicas, Engenharia, e Letras e Ciência. Ela também abriga seis escolas profissionalizantes – Educação, Direito, Administração, Medicina, Medicina Veterinária e a Escola de Enfermagem Betty Irene Moore.

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Contatos:

  • Chelsea Rochman, Marine Ecology, UC Davis/San Diego State University, (530)-754-8020, cmrochman@ucdavis.edu
  • Kat Kerlin, UC Davis News Service, (530) 752-7704, kekerlin@ucdavis.edu, cell: (530) 750-9195